Matriz de Mendelow: o mapa político que destrava seus projetos

Eyder Borges
20/11/2025
11 min de leitura
Matriz de Mendelow: o mapa político que destrava seus projetos

Você já teve a sensação de que um projeto estava tecnicamente perfeito, com bom planejamento, boa equipe, mas mesmo assim travou em algum lugar da organização? A planilha fechava, o orçamento existia, o time estava engajado… e, de repente, uma pessoa numa reunião diz “acho melhor esperar” — e tudo volta para a gaveta.

Na prática, muitos projetos não falham por falta de estratégia, mas por falta de leitura de cenário e gestão de stakeholders. É aqui que a Matriz de Mendelow entra como uma aliada poderosa: ela ajuda você a enxergar quem realmente influencia o jogo, quem precisa ser convencido, quem precisa ser ouvido e quem só quer ser mantido no radar — antes que surjam resistências silenciosas.

Mais do que um quadro 2×2, a Matriz de Mendelow funciona como um mapa político do projeto: ela mostra onde estão seus aliados, onde estão os possíveis bloqueios e onde você precisa construir pontes. Ao longo deste artigo, você vai entender como usar essa ferramenta de forma prática para reduzir ruídos, ganhar velocidade nas decisões e aumentar as chances de sucesso em campanhas, projetos de marketing, tecnologia ou transformação digital — especialmente em iniciativas de ABM e estratégias de mídia programática orientadas a contas-alvo.

Se você já cansou de ver boas ideias morrendo por falta de alinhamento, vale seguir a leitura com atenção. A Matriz de Mendelow pode ser o divisor de águas entre “ter um plano” e fazer esse plano realmente acontecer.

    O que é a Matriz de Mendelow?

    A Matriz de Mendelow é uma ferramenta de gestão de stakeholders que ajuda você a entender quem realmente influencia um projeto e quanto cada pessoa ou grupo se interessa pelo que está acontecendo. Em vez de tratar todas as partes interessadas da mesma forma, a matriz coloca cada uma delas em um quadrante de acordo com dois eixos principais:

    • Poder (influência): capacidade de impactar decisões, aprovar, travar ou acelerar um projeto.
    • Interesse: nível de envolvimento, atenção e preocupação com os resultados.

    Visualmente, a Matriz de Mendelow é um gráfico 2×2 que cruza alto/baixo poder com alto/baixo interesse, ajudando a definir o tipo de abordagem ideal para cada stakeholder.

    Por que a Matriz de Mendelow é tão útil na prática?

    Em qualquer iniciativa estratégica — seja um projeto de TI, uma campanha de marketing, um plano de transformação digital ou a implementação de um novo produto — você sempre lida com pessoas com expectativas, prioridades e medos diferentes.

    A Matriz de Mendelow evita que você:

    • Foque demais em quem grita mais alto, mas tem pouco poder real.
    • Esqueça decisores silenciosos que podem barrar o projeto em segundos.
    • Gaste energia tentando convencer quem não tem interesse nem influência.

    Ela funciona como um mapa político do projeto: em vez de navegar no escuro, você enxerga quem pode ser aliado, quem precisa ser convencido, quem só quer ser informado e quem exige acompanhamento próximo.

    Como funciona a estrutura da Matriz de Mendelow

    A Matriz de Mendelow é dividida em quatro quadrantes. Cada um representa um tipo de estratégia de relacionamento com stakeholders.

    Matriz de Mendelow

    1. Alto poder, alto interesse (Manter próximo)

    Aqui estão as pessoas e grupos que não podem ser ignorados em hipótese alguma. Geralmente incluem:

    • Diretores e C-level (CEO, CFO, CMO, CTO etc.).
    • Sócios e investidores.
    • Grandes clientes estratégicos.
    • Órgãos reguladores relevantes em projetos sensíveis.

    Para esses stakeholders, a estratégia é:

    • Envolver nas decisões-chave.
    • Comunicar com frequência e transparência.
    • Buscar feedback proativo.
    • Construir confiança de longo prazo.

    Na prática, são as pessoas que você convida para comitês de projeto, reuniões de alinhamento executivo e apresentações de resultados.

    2. Alto poder, baixo interesse (Manter satisfeito)

    Neste quadrante ficam stakeholders que têm poder de decisão ou influência forte, mas não estão tão envolvidos no dia a dia.

    Exemplos comuns:

    • Conselhos de administração.
    • Diretoria de áreas adjacentes ao projeto.
    • Investidores que acompanham apenas resultados macro.

    Estratégia recomendada:

    • Comunicações curtas, objetivas e periódicas.
    • Foco em impacto, risco e resultados, não em detalhes operacionais.
    • Alinhamento antecipado em temas sensíveis, para evitar surpresas.

    Aqui a regra é: não sobrecarregar, mas também não deixar no escuro. Um stakeholder deste quadrante pode mudar de baixo para alto interesse rapidamente se algo foge do esperado — seja de forma positiva ou negativa.

    3. Baixo poder, alto interesse (Manter informado)

    Esses stakeholders não têm tanta influência formal, mas acompanham tudo com atenção.

    Exemplos:

    • Usuários finais de um sistema.
    • Equipes operacionais afetadas por mudanças de processo.
    • Times de marketing, vendas, atendimento ou suporte.

    São públicos fundamentais para:

    • Adoção da solução.
    • Feedback prático e insights do dia a dia.
    • Identificação precoce de problemas.

    A estratégia aqui é:

    • Comunicação clara, pedagógica e frequente.
    • Canais abertos para dúvidas e sugestões.
    • Materiais de apoio, treinamentos e FAQs.

    Mesmo com pouco poder formal, essas pessoas podem fazer o projeto dar certo ou naufragar na prática.

    4. Baixo poder, baixo interesse (Monitorar)

    Este quadrante reúne stakeholders que:

    • Têm pouca influência direta no projeto.
    • Demonstram baixo envolvimento com os resultados.

    Exemplos:

    • Áreas pouco impactadas pela mudança.
    • Públicos externos sem relação direta com a iniciativa.

    Estratégia recomendada:

    • Monitorar à distância.
    • Comunicar apenas quando houver impacto relevante.
    • Evitar investimentos excessivos de tempo e energia.

    A Matriz de Mendelow ajuda a entender que nem todo mundo precisa da mesma atenção. Isso libera tempo da equipe para focar em quem realmente move a agulha.

    Passo a passo para aplicar a Matriz de Mendelow

    Você pode implementar a Matriz de Mendelow em uma planilha, em um mural digital ou até em um quadro físico. O mais importante não é a ferramenta, mas o processo.

    1. Liste todos os stakeholders

    Comece identificando todas as partes interessadas no projeto:

    • Pessoas físicas (diretores, gestores, líderes, analistas, usuários).
    • Áreas internas (marketing, vendas, TI, financeiro, jurídico, operações etc.).
    • Parceiros externos (agências, fornecedores de tecnologia, consultorias).
    • Clientes impactados diretamente.

    Uma boa pergunta para esse momento é:

    Quem pode ser afetado por este projeto ou pode influenciar o seu sucesso?

    2. Avalie o nível de poder de cada stakeholder

    Para cada parte interessada, avalie:

    • Poder alto: consegue aprovar, travar, acelerar, redirecionar orçamento ou mudar escopo.
    • Poder baixo: tem impacto limitado nas decisões estratégicas.

    Critérios práticos:

    • Autoridade formal (cargo, função, papel no projeto).
    • Controle sobre orçamento, time ou escopo.
    • Influência política informal dentro da organização.

    3. Avalie o nível de interesse

    Agora, avalie quanto cada stakeholder se importa com o projeto:

    • Interesse alto: acompanha o tema, pergunta, cobra, quer ver resultados.
    • Interesse baixo: só se envolve se algo muito fora da curva acontece.

    Sinais de alto interesse:

    • Participa de reuniões com frequência.
    • Faz perguntas sobre impacto, prazos e resultados.
    • Demonstra preocupação com mudanças em sua área.

    4. Posicione cada stakeholder na Matriz de Mendelow

    Com as avaliações de poder e interesse em mãos, posicione cada stakeholder em um dos quadrantes da Matriz de Mendelow:

    • Alto poder, alto interesse → Manter próximo.
    • Alto poder, baixo interesse → Manter satisfeito.
    • Baixo poder, alto interesse → Manter informado.
    • Baixo poder, baixo interesse → Monitorar.

    Você pode fazer isso visualmente:

    • Criando um gráfico 2×2.
    • Usando post-its em um quadro.
    • Utilizando ferramentas digitais (Miro, Mural, Notion, Excel etc.).

    5. Defina estratégias de comunicação para cada quadrante

    A Matriz de Mendelow só faz diferença quando se transforma em plano de ação. Para cada quadrante, defina:

    • Formato de comunicação: reunião 1:1, comitê, e-mail, relatório, dashboard, workshop.
    • Frequência: semanal, quinzenal, mensal, apenas quando houver mudanças.
    • Nível de detalhe: visão executiva, visão tática, visão operacional.
    • Mensagem central: riscos, resultados, próximos passos, benefícios.

    Você pode montar uma tabela simples:

    • Linha = stakeholder ou grupo.
    • Colunas = quadrante, canal, frequência, responsável, observações.

    6. Revise a Matriz de Mendelow periodicamente

    Stakeholders mudam, cargos mudam, prioridades mudam. Por isso, a Matriz de Mendelow não é estática.

    Recomenda-se revisá-la quando:

    • O projeto entra em nova fase (planejamento, execução, rollout, pós-implantação).
    • Há trocas na liderança ou reorganização interna.
    • O escopo ou o impacto do projeto aumenta.

    Benefícios da Matriz de Mendelow para líderes e gestores

    Quando aplicada com consistência, a Matriz de Mendelow traz ganhos diretos para qualquer projeto estratégico:

    • Clareza política: você entende quem realmente influencia o jogo.
    • Melhor uso do tempo: esforço concentrado em stakeholders que importam.
    • Menos surpresas: riscos de desalinhamento são identificados antes.
    • Engajamento real: cada público recebe o tipo de comunicação que faz sentido.
    • Decisões mais rápidas: com os decisores certos próximos, o fluxo anda.

    Para líderes de marketing, produto, projetos ou transformação digital, dominar a Matriz de Mendelow é como ter um GPS de relacionamentos estratégicos.

    Erros comuns ao usar a Matriz de Mendelow

    Embora seja uma ferramenta simples, a Matriz de Mendelow pode ser mal utilizada. Alguns deslizes frequentes:

    • Subestimar o poder informal: pessoas sem cargo executivo, mas com forte influência cultural.
    • Classificar stakeholders uma única vez e nunca mais revisar.
    • Ignorar sentimentos e resistências, olhando só para organograma.
    • Comunicar demais para quem não precisa e de menos para quem decide.

    Para evitar esses erros:

    • Combine análise formal (cargo, hierarquia) com percepção prática (quem todos ouvem?).
    • Revise o mapa a cada fase crítica do projeto.
    • Escute os stakeholders — não é só sobre enviar informação, mas sobre criar diálogo.

    Como integrar a Matriz de Mendelow com outras ferramentas de gestão

    A Matriz de Mendelow ganha ainda mais força quando combinada com outras práticas de gestão e estratégia, como:

    Para aprofundar a dimensão de dados e inteligência de mercado que alimentam esse mapa de stakeholders, vale conferir também nossos conteúdos sobre pesquisa de mercado e gerenciamento de dados de clientes (CDP).

    • Mapas de jornada do cliente: para entender onde stakeholders internos e externos impactam a experiência.
    • OKRs (Objectives and Key Results): para alinhar metas de projeto com as expectativas dos stakeholders mais influentes.
    • Matriz RACI: para definir quem é Responsável, Aprovador, Consultado e Informado em cada etapa.
    • Gestão de mudança (Change Management): para planejar comunicações, treinamentos e patrocínio de liderança.

    Assim, a Matriz de Mendelow deixa de ser apenas um quadro conceitual e se torna uma peça central na orquestração de projetos complexos.

    Se a sua empresa opera com marketing B2B e vendas consultivas, vale conectar a Matriz de Mendelow com a definição de contas-alvo e estratégia de ABM, com o desenho de tiers de contas e com a construção de um funil ABM consistente. Dessa forma, o mapa de stakeholders deixa de ser algo isolado e passa a guiar campanhas, cadências de prospecção e ações de mídia programática em toda a jornada.

    Checklist rápido para aplicar a Matriz de Mendelow

    Para facilitar, aqui vai um resumo em formato de checklist para você aplicar a Matriz de Mendelow no seu próximo projeto:

    • Liste todos os stakeholders relevantes.
    • Avalie o nível de poder de cada um.
    • Avalie o nível de interesse de cada um.
    • Posicione cada stakeholder no quadrante correto.
    • Defina estratégias de comunicação por quadrante.
    • Documente canais, frequência e responsáveis.
    • Revise a Matriz de Mendelow periodicamente.

    Ter esse checklist sempre à mão ajuda a transformar a matriz em hábito de gestão, não apenas em teoria.

    Conclusão

    No fim das contas, a Matriz de Mendelow não é apenas uma técnica bonita de gestão: ela é uma forma de assumir que projetos, campanhas e iniciativas estratégicas são feitos de pessoas — com poder, interesses, expectativas e medos diferentes. Quando você mapeia quem realmente influencia, ajusta a comunicação por quadrante e revisa esse mapa ao longo do tempo, você deixa de reagir a crises e passa a atuar com intencionalidade e estratégia.

    Em projetos de marketing, growth e mídia programática, isso faz toda a diferença. Não basta ter o melhor plano de aquisição, o mix perfeito de canais ou a segmentação mais avançada se stakeholders-chave não estão alinhados com objetivos, métricas e impactos. A Matriz de Mendelow ajuda a orquestrar tudo isso: diretoria, financeiro, vendas, operações, agência, times técnicos — cada um recebendo o nível certo de informação, no momento certo, pelo canal certo.

    Se você quer dar o próximo passo e transformar essa lógica em resultados concretos, com campanhas mais inteligentes, dados bem utilizados e projetos que realmente “saem do papel”, a Redmedia pode ajudar.

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